sábado, 12 de maio de 2012

Bicicross - Capítulo Final

Após a última etapa, me veio à mente as lembranças da Etapa de Contagem, onde, à pedido de um competidor e da mãe dele, fomos à comissão organizadora solicitar a alteração no resultado da etapa, pois, na verdade, minha posição correta era a quarta colocação e a do competidor a terceira. Devido a um erro de anotação, eles tinham invertido nossas posições.

Para completar, eu fiquei em sétimo lugar geral e somente os 6 primeiros colocados iriam para a disputa do Campeonato Brasileiro, que ocorreria em dezembro no Rio Grande do Sul. Ah! Uma pedalada para quem adivinhar quem ficou na sexta colocação? :) Pois, se pensaram no competidor da etapa de Contagem, vocês acertaram.

Bem, se soubesse que aquela alteração de posição iria acarretar nesta perda de oportunidade para disputar o campeonato brasileiro, certamente eu... teria tomado a mesma atitude daquele dia: iria solicitar a troca, pois era o correto a ser feito.

Como recompensa, além da satisfação de ter corrigido um erro, pude intensificar meus estudos para a prova de admissão do curso de Informática Industrial do CEFET-MG, o que me fez ser aprovado e realizado um sonho meu. Se tivesse classificado para a disputa do brasileiro de bicicross, certamente não teria estudado o necessário para poder passar nesta prova.

Após a última prova do mineiro de bicicross, parei de competir, principalmente porque os estudos não me deixavam tempo para treinamentos.

Foi uma fase muito boa da minha vida. Conheci muita gente legal, várias cidades, ganhei competições. Enfim, valeu à pena!

Ah! Nesta foto ao lado eu sou o biker mais à esquerda e os outros dois são meus irmãos. Estes eram nossos uniformes e bikes!

Pedalei!
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Bicicross - Etapa Final

Equipe Albatroz na Pista do Mineirinho
Foto: Wilson Brandão
A última etapa do campeonato mineiro ocorreu na pista do Mineirinho, em Belo Horizonte. Pista muito técnica e boa para se correr.

Estava em sétimo no campeonato e teria que marcar pelo menos 3 pontos para ficar em sexto. Para 'melhorar' minha situação, nas baterias de classificação para a final, fiquei junto com o líder do campeonato e o vice-líder, meu colega de equipe, conhecido como Chocolate. Teria que superar um dos dois para ir à final e conseguir marcar pontos.

Na primeira das três baterias que disputaríamos, ao disputar a primeira curva, fui fechado por um competidor e tive que abrir a trajetória o que acabou jogando para fora da pista o líder e outro concorrente. Comecei a pedalar forte, pois estava em segundo e, se conseguisse chegar em primeiro, certamente iria me classificar. Neste momento, o Chocolate, que estava em primeiro, diminuiu o ritmo, me mandou ultrapassá-lo e ficou falando para que eu acelerasse e pedalasse mais forte, para chegarmos nas duas primeiras colocações. Conseguimos! Eu em primeiro, ele em segundo e o líder em quarto.

Não prezado leitor, o Chocolate não estava fazendo jogo de equipe ou mesmo me retribuindo algum favor. Era simplesmente estratégia. Para ser campeão, ele precisava, no mínimo, ficar em segundo nesta última etapa, desde que o líder não marcasse ponto. Se nós dois classificássemos, metade do trabalho estaria pronto, com o líder ficando de fora da final.

Ao final da terceira bateria, nosso objetivo tinha sido conquistado. Nos classificamos. Entretanto, o líder não tinha percebido nossa estratégia, pois achava que ele tinha se classificado e eu tinha ficado de fora. Ao contar-lhe o resultado da primeira bateria, que ele acreditava ter sido vencida pelo Chocolate, ele compreendeu tudo e 'a ficha caiu'. Mudou instantaneamente de um semblante feliz para uma cara de choro e disparou a chorar. Me afastei dele e comecei a rir da cena ocorrida. Me sentia vingado pela estória que ele tinha inventado sobre mim na etapa de Ipatinga. Relatei o ocorrido para meu colega. Ele também riu, pois seu plano estava dando certo e tinha chances reais de ser campeão.

Nas baterias finais, o líder ficou próximo à pista, sentado e chorando. Nem observava as corridas.

Apesar de termos nos esforçado ao máximo, não conseguimos atingir nossos objetivos finais. Eu conquistei somente 2 pontos e o Chocolate não conseguiu uma boa colocação, ficando como vice campeão. Ao saber que tinha sido o campeão mineiro, o líder abriu um sorriso iluminado e estampou no seu rosto aquele ditado: "Quem ri por último, ri melhor!"

Pedalei!
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Bicicross - Tombos Espetaculares

Se tem um ensinamento que um competidor de bicicross deve aprender é como saber cair. Neste esporte, os tombos são inevitáveis: um aterrisagem de um pulo de rampa mal feita, um competidor que lhe empurra, uma curva mais fechada do que o previsto, alguém caindo bem a sua frente... Motivos não faltam para que você venha tomar um tombo!

Era raro não cair pelo menos uma vez por semana. Como treinava quase que diariamente, tombos eram normais. Pelo menos nunca tomei um muito sério que viesse a me fraturar, mas sempre tinha machucados de ralamentos e também uns hematomas! :)

Em dia de competição, os tombos também participavam! :) Vi muitos, mas me lembro muito bem de duas situações inusitadas, ocorridas na mesma pista. Uma eu participei, outra aconteceu com um colega de equipe.


Na situação com meu colega, ocorreu o seguinte: tinham dois bikers disputando a primeira posição, quando, na penúltima rampa, anterior à última curva, um deles caiu. Meu colega que vinha na terceira posição, passou pela rampa e se deparou com o biker caído. Numa atitude de puro reflexo de um atleta bem treinado, conseguiu evitar o choque, puxando a bicicleta e fazendo com que ele passasse acima do ciclista caído. Acabou perdendo posições, pois não teve como fazer a curva adequadamente, mas todos que presenciaram a cena o aplaudiram.

No meu caso, foi diferente. Larguei junto com mais 4 ciclistas para a disputa de uma bateria de classificação. Estava à direita de todos. Ao passar pela primeira rampa, acabei errando, me desequilibrando e caindo para a esquerda. Pronto, após este tombo, chegarei em último, pensei na mesma hora em que me levantava. Só que, para minha surpresa, ao cair para o lado esquerdo, acabei gerando um "dominó lateral", fazendo com que todos caíssem. Peguei o mais rapidamente minha bike e tive que desentortar o guidon, alinhando-o com a roda. Dois dos atletas já tinham aberto vantagem, mas ainda consegui chegar na frente dos outros dois que estavam na bateria. Infelizmente acabei não conseguindo a classificação para a final, mas valeu o esforço para chegar em terceiro! :)


Pedalei!
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Bicicross - Etapa Ipatinga

A viagem para Ipatinga tinha sido bem legal. Foi a maior distância que percorremos para disputar uma prova do Campeonato Mineiro.

A equipe conseguiu ficar num lugar muito bonito, na Área de preservação ambiental da Usipa: tinha um ginásio poliesportivo, um mini-zoológico em volta e alojamentos simples mas muito funcionais, trilhas, piscinas e muitas outras coisas interessantes.

Após nos acomodarmos, fomos procurar um restaurante para almoçarmos, pois já passava de 13 hrs. Sem muitas opções, acabamos almoçando num lugar bem simples, mas que servia um PF (prato feito) excelente. Talvez a fome tenha feito ele ficar mais gostoso ainda.

O próximo local visitado foi a pista (ver foto ao lado, infelizmente também abandonada atualmente). Era uma pista com dois traçados: para as categorias de idades mais baixas, era um traçado mais simples, com uma extensão menor. Para as categorias de bikers mais experientes, a pista era longa e com rampas em descidas, fazendo com que o salto ficasse perigoso e com uma subida bem forte na parte final.

Minha categoria corria pela pista mais simples. Não me aventurei a pular nas rampas existentes na descida, pois fiquei com receio de cair ou mesmo estragar a bike e não poder participar no outro dia.

No domingo, durante a prova, lembro-me de estar conversando com um competidor da minha categoria, que inclusive era o líder do campeonato, e comentei com ele sobre a rixa que tinha com um outro competidor, da minha equipe. Tínhamos até quase brigado uma certa vez, tendo sido separados por outros da equipe. Cheguei a comentar com ele: "Estou torcendo para o Rodrigo (o rival da minha equipe) não se classificar para a final. Quem sabe ele não cai e fica de fora?"

Acabei indo para a final e o Rodrigo também. Não fomos bem na disputa, mas não me lembro das nossas posições.

Durante o retorno para BH, percebi que tinha algo estranho. Meu rival começou a falar comigo em tom agressivo e outros colegas me olhavam com raiva. Não estava entendendo nada, até que um deles me questionou, dizendo se eu achava certo pedir para outro competidor derrubar um colega de equipe. Aí que fui entender: o biker que conversou comigo, foi falar para o meu rival que eu tinha pedido para que o derrubasse durante a prova, para que ele não se classificasse.

Falei que era mentira e que não tinha pedido nada para ele. Como já tínhamos uma rixa e outros da equipe sabiam disso, preferiram acreditar no outro cara, infelizmente.

Depois deste acontecimento, fiquei marcado negativamente na equipe, fator que contribuiu para desistir de continuar a competir no ano seguinte.

Pedalei!
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Bicicross - Uniforme da Albatroz

Desde que comecei a treinar com a equipe Albatroz que falavam sobre a camisa de mangas longas que seria feita e distribuída para os integrantes da equipe. Teria direito à camisa aqueles que treinavam e participavam das competições. Eu fazia as duas coisas, portanto, com certeza, ganharia a camisa.

Depois de alguns meses, as camisas ficaram prontas e decidiram que seriam entregues numa prova que ocorreria no domingo seguinte. Esta prova (que não era uma competição de bicicross) seria disputada entre estradões de terra e trilhas, com largada em Pará de Minas e chegada em Betim.

Ainda não tinha pedalado uma distância tão grande quanto esta. Comecei a ficar com vários receios: e se a bike estragasse? E se o pneu furasse? E se eu caísse e me machucasse? E se chovesse, tendo muita lama? Como faria para chegar se alguma destas coisas ocorressem? A distância era bem grande...

Continuava em dúvida, até que acordei cedo (por volta das 6 da manhã) no domingo e estava chovendo muito forte. Certamente adiariam a prova. Voltei a dormir. Lá pelas 10 hrs, acordei novamente e vi que o sol brilhava. Será que a prova tinha acontecido?

Biker marcado com a seta vestindo a camisa da Albatroz
Foto: Wilson Brandão
Sim, a disputa, mesmo com chuva, ocorreu. Fiquei sabendo no outro dia, durante o treinamento da equipe. Também fiquei sabendo de outros detalhes: além de levar a equipe, um destes caminhões menores foi disponibilizado para recolher a turma que se machucava ou que a bike estragava. Quem foi disse que tinha sido excelente! Uma das melhores competições que já tinham participado. Também foram distribuídas as camisas para o pessoal da equipe e, pelo que fiquei sabendo, para outras pessoas e ciclistas, que não treinavam, mas eram conhecidos do treinador.

Resumo da história: perdi a prova, perdi a camisa, pois todas foram entregues e acabei ficando decepcionado comigo (por ter sido vencido pelos receios) e, principalmente, com o treinador, que não teve a mínima consideração com aqueles que eram da equipe e não foram naquela disputa. Certamente tínhamos mais direito do que seus amigos.

Desta vez, Não Pedalei! :)
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Bicicross - Etapa Contagem

A etapa de Contagem está entre as etapas que mais me recordo, durante a disputa do Campeonato Mineiro.

A pista (veja foto ao lado), localizada no Parque Fernão Dias, era muito boa, bem veloz, curvas fechadas e uma rampa que possibilitava pularmos muuuuito alto. Por esses fatores, ela exigia bastante técnica do biker. Pena que, pelo que pude apurar, está abandonada.

No dia da etapa do campeonato estava chovendo muito. Talvez esta condição foi a causa de ter menos competidores do que o de costume. Não tanto para a minha categoria, que estava quase completa :(.

Diferente da maioria das pistas, esta permitia 8 atletas competir ao mesmo tempo. Entretanto, na final, somente 6 recebiam pontuação.

Já estava preparado, tendo inclusive feito aquecimento, quando aguardava minha vez de competir na bateria classificatória. Minha bike estava encostada num mourão, enquanto tentava obter informações e ver como estava a pista. Num dado momento, verifiquei que minha bicicleta tinha caído. A princípio, fiquei bravo e fui levantar a bike. Quando a levantei, percebi que o que tinha feito ela cair foi uma peça quebrada. Esta peça se localizava dentro do cubo central e ligava um pedivela ao outro. Era uma peça nova, pois eu a tinha instalado há pouco mais de uma semana. Ainda bem que quebrou antes da prova. Se isto tivesse acontecido durante uma corrida, no mínimo, me machucaria muito.

Infelizmente não daria para consertar minha bike a tempo de competir. Procurei outros integrantes da equipe e acabei conseguindo uma bike emprestada, de um colega de outra categoria mais abaixo (ele era mais novo), que não teria que disputar a fase classificatória, pois não tinha 8 competidores em sua categoria.

Tinha um porém: era um Monark, bem diferente da minha Caloi Extra Light. De qualquer forma, era minha única chance. Não teria tempo nem para fazer um teste, pois já estava quase na hora da minha bateria.

Na largada eu fiquei na turma intermediária, perto dos líderes. Como não estava acostumado com a bike, adotei uma estratégia menos arriscada. A lama acabou me ajudando, pois fazia com que todos reduzissem a velocidade. Terminei bem colocado as três baterias de classificação e consegui ir para a final, o que, em várias etapas, com a minha bike, não consegui :).

Adotei a mesma estratégia (menos velocidade, mais segurança) na final e acabei terminando em quarto. Estava bem feliz, em vista de tudo que tinha acontecido, esta posição era excelente!

Fui assistir a premiação. Nesta etapa, além do troféu, os três primeiros ganhariam um par de pneus. Normalmente faziam a chamada de forma invertida, do terceiro para o primeiro. Fiquei surpreso ao ser anunciado como terceiro colocado. Será que eu tinha calculado errado? Algum atleta tinha sido desclassificado ou perdido alguma posição?

Fui lá receber meu troféu e o par de pneus. Estava mais feliz que os outros dois (primeiro e segundo) premiados.

Saindo da área da premiação, me dirigi ao caminhão da equipe, para me aprontar para a volta. Ainda não acreditava que tinha ficado com a terceira posição. Uns 10 minutos depois, entendi tudo. Apareceu um competidor junto com a sua mãe e me explicaram: tinham anotado incorretamente nossas posições. Numa bateria que cheguei em quinto e ele em terceiro, inverteram nossas posições. Sua mãe pediu que eu me dirigisse, junto com eles, até a direção da prova, para que eu confirmasse o erro e eles corrigissem as posições.

Poderia ter dito que a anotação da ordem de chegada estava correta e que nenhum erro tinha acontecido, mas, no fundo, sabia que deveria fazer o certo e ir corrigir este engano. Ganharia uma pontuação menor no campeonato e perderia, além do troféu, o par de pneus, mas ficaria tranquilo comigo mesmo, sabendo que fiz a coisa certa.

Fomos lá corrigimos a situação. Como prêmio pelo meu gesto, a mãe do competidor me ofereceu o par de pneus, pois seu filho já tinha outros e não precisaria daqueles. Como eu estava precisando, aceitei e agradeci.

Acreditava que este equívoco tinha terminado por alí, mas ele ainda teve consequências que depois contarei...

Pedalei!
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Bicicross - Campeonato Mineiro

O motivo da nossa equipe treinar muito era formar uma equipe forte para disputar o Campeonato Mineiro e, com bons resultados, classificar vários atletas para a disputa do Campeonato Brasileiro que ocorreria no final do ano.

O Campeonato Mineiro seria disputado em várias etapas, em várias cidades: Belo Horizonte, Betim, Contagem, Ipatinga, Sete Lagoas.


O ciclistas eram divididos em categorias, normalmente um ano por divisão: Infantil (A, B, C, D), Juvenil (A, B, C, D) e Master (A, B, C, D). A Master-D englobava os bikers com 18 anos ou mais.


Para algumas categorias, a competição era bem mais acirrada, pois tinha muito atleta disputando, fazendo com que houvesse disputa de eliminatórias para participar da final de cada etapa.


Normalmente as pistas comportavem 6 bikers por vez. Minha categoria, para minha 'sorte', costumava ter uma média superior a 20 atletas por etapa. Ou seja, mais de 3 disputando vaga para a final, onde se conquistava os pontos e, desta forma, a possibilidade de ganhar troféus, medalhas e alguns prêmios.
Em breve postarei relatos de algumas etapas.
Pedalei!
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